Será que o fim do dinheiro chegou?

Há alguns anos, surgiram as primeiras especulações a respeito do fim das moedas fiduciárias, (esse dinheiro de papel que conhecemos). Com a ascensão das moedas digitais, viu-se a possibilidade de uma mudança radical no sistema monetário vigente. Esse cenário fez o próprio Fundo Monetário Internacional (FMI) se posicionar a respeito, afirmando:

“As formas digitais de dinheiro estão cada vez mais nas carteiras dos consumidores, assim como nas mentes dos formuladores de políticas. O dinheiro vivo e os depósitos bancários estão lutando com o chamado dinheiro digital (…)”

Pois é, mas essa era a conjuntura do ano passado: antes do Covid-19, antes da quarentena, antes de todo o mundo ser obrigado a se reorganizar. Hoje, já é mundialmente aceito que os sistemas fiduciários estão em falência. Até porque, não faz muito sentido ainda existir resistência na atualização das moedas de troca, em um mundo onde quase a totalidade das relações são mediadas por tecnologia.

Durante toda a história da Humanidade, observamos que essa evolução é necessária e acompanha as mudanças dos meios produtivos. De início, fazíamos o escambo (simplesmente trocávamos um produto por outro, de que estávamos necessitando); com o passar dos anos, começamos a utilizar moedas metálicas, para efetuar nossas trocas comerciais; e, só então, ascendemos ao modelo de cédulas existente hoje. Mas é ingênuo pensar que esse modelo é imutável.

Atualmente, os governos de economias capitalistas bem consolidadas entram em uma disputa de quem vai comandar essa transição. Sobre isso, o banco central da Holanda, De Nederlandsche Bank, já se posicionou, dizendo que quer ser líder mundial no desenvolvimento de moedas digitais. Em boletim oficial, eles reafirmaram que o dinheiro físico está “claramente em desuso”.

Certamente, essa transição não irá ocorrer de forma súbita. A proposta é de que a liberdade de trocar dinheiro de banco comercial por dinheiro digital seja assegurada, pois ajuda a manter a confiança essencial que as pessoas têm no sistema monetário.

Interessante pensar que daqui a poucos anos o mundo como conhecemos não será mais o mesmo. E você? Vai continuar resistindo ao inevitável?

Por: Amanda Martins
Publicado em 24/04/2020